quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ruanda

Hoje venho aqui falar-vos dum assunto, que para muitos, faz parte do passado.


Ruanda, conhecida apenas por um 10% da população mundial, onde desses 10% apenas 2% sabe mais para além do filme hollywoodiano Hotel Rwanda ( que recomendo, apesar de tudo), em 1994, foi palco do maior genocídio dos tempos modernos.
O país, como em quase todos os países africanos são povoados por tribalismos. Dois deles são os hutus e os tutsis.Tribos que eu nada diferem, a não ser a sua posição cultura/politica, mas que desde as suas origens se desdobram em conflitos.
O segundo genocidío que Ruanda conheceu, foi de facto em Abril de 1994, aquando um político é assinado durante um tratado de paz.
Os Hutus, proclamaram guerra aberta aos Tutsis, e ai começou o palco mais sangrento dos últimos tempos. Alguns enviados britânicos, através de documentos, afirmam, ainda hoje, que o genocidio foi largamente preparado, inclusive pelo governo interno.

Começou a caça aberta ao massacre, estimando-se que quase toda a população feminina foi violada, e toda a criança gerada dessa violação foi degolada ou esquartejada á nascença. Massacraram mais de 500 mil pessoas, mutilando-as e queimando-as. Mais de 5000 crianças de leite foram mortas, sem nenhum motivo (plausível e humano).
Por fim, a conta ficou em mais de 800 mil pessoas mortas.
Eu penso que a Humanidade, quando se fala em números, por muito que se choque, não se apercebe da dimensão humana que isto implica.
Estamos a falar de pessoas, como nós, com os mesmos sentimentos de amor ou ódio, de esperança ou desespero, que um dia acordaram, e viram os seus filhos a serem esquartejados a sua frente e depois brutalmente assassinados.
800 mil pessoas que imploraram pela sua vida, mas que a sua voz não foi mais forte que um concerto dos Metallica.


Há uns tempos, um furor surgiu nas redes sociais, exaltando o humano que cada egoísta (onde me incluo) tem. Kony 2012, foi um movimento, ainda que fortemente contestado, para capturar e dar um término á horrível situação que o Uganda se encontra em relação á escravidão sexual e á milicia infantil forçada.
Ai assisti a uma coisa, que nunca me tinha percebido. Metade da população mundial não se apercebe do que se passa com a outra metade. Há apenas uma ideia vaga, como uma névoa, bastante ingénua sobre os verdadeiros problemas do mundo.
Por isso, acho importante que nos unamos, cada vez mais, e lutemos por quem não tem tanta força como nós, mas também , que informemos os nossos, creio que a Humanidade está adormecida por ignorância.


Ainda hoje, arrepia-me, pensar em Ruanda, e a possibilidade de vir acontecer de novo, e o mundo desde então, não ter tomado nenhuma medida.
Esta noite, a minha alma permanece perto de quem partiu inocentemente neste genocidio.


Sugestões sobre Ruanda;



FILMES
Mesmo tendo começando este texto com um "ataque" ao filme, continuo acha-lo dum excelente nível, e era preciso mais destes filmes, e o actor, está com uma perfomance incrível.


| http://www.youtube.com/watch?v=mYwuXvA589A { trailer


LIVROS
| Uma Temporada De Facões: Relatos Do Genocídio Em Ruanda de Jean Hatzfeld














domingo, 15 de janeiro de 2012

Mulher, que direitos?

" Woman was created from a rib, and if you try to straighten a rib you will break it, so deal with her gently."


A esfera feminina.
Ao longo destes últimos séculos, a mulher tem ganhado uma enorme influência nas grandes decisões deste mundo que é de todos nós.
Revolucionaram os seus costumes, viram á sua frente o direito ao voto, á opinião e á produtividade. Hoje em dia a mulher é uma figura activa na sociedade e que cada vez mais contribui para um maior equilíbrio.
Contudo, muitas mulheres esqueceram-se de tantas outras.
No chamado "3º mundo" estima-se que milhões de mulheres são tratadas abaixo de lixo, devido á sua cultura, e a força tirana do machismo.
Mas mais grave que não terem direito a ter uma opinião, um voto, ou vontade própria, é o facto de a lei abraçar a ideia que elas devem responder (ainda que inocentemente) aos mais pesados e maior parte das vezes, mortais castigos.
Em sociedades onde é permitido o poligamismo pela parte dos homens, um adultério cometido pela mulher dá direito a morte. E como se não bastasse, a sua morte é animalesca, apedrejada em plena praça pública, muitas vezes arremessada pelos seus amigos ou vizinhos.
E muitas vezes, o adultério é um esquema para poder livrar-se da mulher, visto ser proibido o divórcio em maior parte das culturas.
Enquanto escrevo isto, mais uma mulher é condenada ao apedrejamento.
E isto revolta-me, porque por vezes, as mulheres ocidentais discutem por causa dum posto de trabalho que lhes foi negado.
A luta pelos direitos femininos não acabou no momento em que nós, ocidentais, os conseguimos.
A verdadeira luta deveria ser a proclamação de direitos universais da mulher e impedir estes atrozes acontecimentos, derivados dum fanatismo que nós, ocidentais o possuímos outrora.

Mulheres, um apelo de outra, lutemos por aquelas que não têm direito a uma voz.




Sobre este assunto, recomendo a visualização do filme The Stoning of Soraya M. Talvez desperte mais consciência.

domingo, 23 de maio de 2010

INFÂNCIA ENGARRAFADA

O post de hoje não é retirado de nenhum documentário intelectual ou de um facto cientifíco.
Vem a 100% e directamente do coração.
Enquanto via uma série de televisão banalissíma, de investigação, deparei-me com uma história ficticía que me pos a pensar.
A história consistia numa mulher, uma mãe solteira, que tinha um problema grave com o álcool.
Era mãe de dois filhos, um adolescente e uma criança. Para ter dinheiro para a sua dependência, vendia a sua alma a homens sem escrúpulos e vazios de qualquer amor espiritual.
Fiquei a pensar naquele miudo. Não naquele em concreto,mas naqueles que não lhes é permitido escolher uma realidade vivida por uma teatral.
Pensei naquelas crianças que convivem diaremente com os problemas directos dos pais, seja de droga, de alcool , ou até mesmo de violência doméstica.
O mais alarmante é que estas crianças serão portadores de grandes distúrbios sociais e serão os renegados, os presos e os sociopatas do futuro.
Sem culpa nenhuma de terem nascido num seio degradado.
Com a crise mundial e com a vida a agravar-se para todos, casos como estes intensificam-se , e a infância é distorcida e detorpada, e a teoria do bom selvagem de Rousseau se corrompe.
O que mais me choca, é que enquanto estou aqui sentada a escrever este texto ,mais uma criança sofre, mais uma criança se sente isolada, num mundo que já desde inicío não tem cor nenhuma. E sinto uma frustação imensa por ser uma cidadã que não é omnipotente.
Não desejando ser Deus, mas sim omnipotente.

Ao serviço da ajuda e do Amor.


A todas as crianças que sofrem neste mundo e não têm a sorte de viver felizes como os nossos filhos, irmãos primos ou sobrinhos.

sábado, 15 de maio de 2010

Povo Afar e circunsisões









Após de visualizar um documentário na Rtp2 ,denominado por " The hottest Place on earth", decidi descrever aqui a minha admiração e ao mesmo tempo uma revolta, que não é assim tão novidade.


"Uma equipa de peritos e exploradores aventura-se no deserto de Danakil a Norte da Etiópia, a fim de investigar a incrível geologia desta área. Pela primeira vez vulcanólogos, climatologistas, antropólogos, médicos e veterinários trabalham juntos para descobrir como os povos que aqui habitam e os seus animais, conseguem sobreviver num dos lugares mais quentes da Terra!
O vulcanólogo da equipa descobre o que acontece quando um continente começa a dividir-se e investiga as causas de recentes e dramáticos abalos de terra na região.
A equipa dos exploradores procura novas formas de vida numa das mais hostis regiões do planeta. A equipa dos veterinários descobre como os camelos e os burros sobrevivem na região e os médicos estudam como as tribos Afar conseguiram adaptar-se à vida nesta região tão inóspita e esquecida!"


Achei o documentário fantástico. Ele esta dividido por partes, pelo qual, só visualizei uma parte, mas como não podia esperar, fui pesquisar á internet.
A parte que vi, demonstra um povo adaptado ás condições mais adversas do planeta, e que trabalha em condições completamente rudimentares,a preços de pagamento quase ou nada vantajosos pelo aquilo que passam.
A parte que vi, mostra mais as descobertas geológas naquela aréa, como os animais de adaptam e as atenções a ter sobre o que está a acontecer ao magna terreste.

O que eu não vi directamente na televisão foi o que me chocou.
Nomeadamente sobre o povo Afar, e sobre as suas tradições e culturas.
Que as mulheres na Àfrica e na Ásia são totalmente submissas aos padrões sociais e hierarquias, todos nós já sabemos. O que me choca,é que as mutilem, e as obriguem a contrair doenças.
As mulheres do povo Afar são Muslim, uma vertente do islamismo, e tal facto aconteceu após o século X, com o encontro de mercantis arábes.
São mulheres, jovens e velhas que não têm qualquer poder de voz, não se pronunciam sobre nada,deixando-lhes a tarefa de vigiar as suas aldeias nómadas e tratar dos filhos.

O que me choca principalmente é a circunsisão feita as mulheres e aos homens. O rasgar de tecidos humanos a fresco, sem qualquer tipo de cuidado cliníco, a sangue frio, que provoca uma anulação do prazer sexual na mulher, é completamente brutal e passa e muito os meus limites de crueldade.



A mulher, assim como qualquer ser humano, não devia ser tratado como gado.Estamos a falar de raparigas muitas vezes com os seus 10 anos que são amarradas por mulheres e homens que seguram os seus braços, enquanto se tentam libertar, e um homem senta-se sobre o seu peito, para que a insuficiência do ar, a imobilize.
Aí, só tem que esperar pela dor lacinante que é ser esquartejado na sua parte mais intíma. Como se não bastasse, completamente mutilada, é posta em fila para ser escolhida por um homem para ser sua mulher.
Nem mesmo o gado, deveria ser tratado assim.


A todos nós , inclusive a mim, falta mais coragem , pelo menos para nos apercebermos do que o mundo é feito e dos seus podres.
E quem vira a cara e diz que não conseguem, é estar admitir, que a Humanidade está condenada a um natural

HOLOCAUSTO.


sábado, 8 de maio de 2010

Child Prostitution

Catwalk, uma marca de suor escravo.

http://www.scribd.com/doc/3894389/Catwalk-India

"Realizamos uma viagem à cidade de Mumbai na ìndia para a tentativa de
abertura de um novo cliente lá chamado CATWALK , eles possuem ao todo
130 lojas em toda Índia, sendo que 12 delas com sapatos mais caros
para uma linha " classeA" de clientes. Que é a grande minoria lá.

Eles importam produtos da China também.mas actualmente a maior parte dos sapatos
é produzido em suas fábricas próprias com uma produção de 800
a 900 pares/dia com um quadro funcional em torno de 200 pessoas
Em sua produção eles tem um índice de devolução por defeito de menos
de 1% de produção.
Os funcionários da empresa trabalham praticamente por comida, eles vivem dentro das fábricas, cozinham a comida lá mesmo durante o trabalho, tem roupas penduradas lá também e a noite puxam uns colchões nos corredores e dormem ali mesmo para no outro dia acordarem e já começam a produção novamente , trabalham em torno de 16 a 17 horas por dia.
E esta é a vida deles, praticamente um trabalho escravo.
As únicas máquinas que existem são máquinas de costura, o corte é feito a tesoura e toda a montagem é completamente artesanal."

Inocência Roubada

“A primeira coisa, portanto, é dizer-vos a vós mesmos: Não aceitarei mais o papel de escravo. Não obedecerei às ordens só porque são a lei, porque desobedecerei sempre que estiverem em conflito com a minha consciência. O vosso opressor poderá utilizar a violência para vos forçar a servi-lo. Direis a ele: Não obedecerei nem por dinheiro nem por ameaça. Isso poderá trazer sofrimentos. Mas vossa coragem acenderá a tocha da liberdade, que não mais poderá ser apagada. “ Mahatma Ghandi

A verdade, é que a liberdade de Ghandi á muito foi esquecida. Seus ideais de já não são ouvidos , num mundo cada vez mais surdo pela voz da paz.
Mas será tão impossível uma minoria lutar pelo mundo que pertence a todos?

A Índia é considerada uma das maiores atracções turísticas . A beleza e a tradição da Índia fazem um destino de férias paradisíaco.Mas só o é para turistas. Porque a realidade interna é demasiado negra.
Num país onde o equilíbrio da classe média parece ser inexistente , e a fome e a extrema riqueza são aliados num mundo que não confere justiça, as medidas desesperadas parecem ganhar voz.
As grandes e pobres familías indianas cada vez mais não têm como outro recurso expor seus filhos a trabalhos forçados.
Numa realidade não muito recente meninos e meninas são vendidos por uns míseros 4 doláres no nepal e entram nas grandes cidades indianas como mercadoria humana destinados ao comércio sexual
Passam a ser objectos de pessoas sem escruspulos que enriquecem á custa da inocência roubada de crianças e jovens mulheres. A Unicef estima que existem 500.000 prostitutas infantis só em território indiano.
Quando chegam aos bórdeis e aos seus donos , são “ domesticadas” atravês da violência e violação. Aquelas que resistem são punidas ainda de formas mais brutas e mais rigídas.
As piores casas de prostituição indianas são chamadas as “ casas de travesseiros” onde as prostitutas não podem falar com os clientes e estão divididas apenas por panos que dividem minusculos quartos, e os donos podem permitir até 40 visitantes por dia.
A prostituição infantil na Índia é muito procurada, devido a crenças, que defendem que o sexo com crianças ou virgens curam a gonorreia e a sifílis, doenças sexualmente transmissíveis. Não será escusado dizer, que esta crença só aumenta o número de Gonorreia e Sifílis, principalmente em crianças.
Mas estes acontecimentos chocantes não poderão ser travados atravês do governo indiano e organizações internacionais?
Felizmente, o governo indiano proíbe e admite o estatuto de ilegal todo o trabalho forçado, especialmente o trabalho sexual. Mas a visão não é tão animadora assim, visto que as forças policiais das zonas mais problemáticas estão subornadas pelos grandes bordéis a fazer a dita vista grossa, e muitas das mulheres, submetidas por este mercado tenebroso ao fugir, são recambiadas pela própria polícia para os seus respectivos donos.
Como se não bastasse , o turismo sexual tem aumentado, principalmente na rota asiática, onde a prostituição infantil é cada vez mais procurada, especialmente por pedófilos de todo o mundo- estima-se que Goa seja visitada anualmente por 10.000 pedófilos.

Uma realidade chocante, que já não é novidade nenhuma ,nem é um exclusivo da Índia, é uma problemática que afecta todo o mundo especialmente o chamado 3º mundo. Uma realidade que é um atentado aos direitos do Homem e da liberdade do mesmo, assim como um atentado á segurança que todas as crianças neste mundo têm direito a ter. A inocência é roubada, e o corpo é vendido a quem não tinha direito de o comprar.

Pensem nisto.